Melina Gomes

Autocobrança

Autocobrança, autoestima e perfeccionismo

Existe uma exigência que não aparece para os outros: a voz interna que revisa cada frase dita, que transforma um acerto em obrigação e um erro pequeno em prova de incapacidade. Quem vive assim costuma ser vista como competente e responsável — e, ao mesmo tempo, sente que nunca é suficiente.

Como o perfeccionismo se disfarça

  • Padrões altos que nunca se dão por satisfeitos
  • Medo de errar diante dos outros
  • Dificuldade em receber elogios
  • Adiar tarefas por receio de não fazer bem
  • Culpa ao descansar

O perfeccionismo é frequentemente confundido com dedicação. A diferença está no custo: o esforço deixa de gerar satisfação e passa a ser apenas uma forma de evitar a sensação de fracasso.

Autoestima não é autoconfiança performática

Fortalecer a autoestima não significa acreditar que você é ótima em tudo. Significa desenvolver uma relação mais justa consigo mesma: reconhecer limites sem se desqualificar, errar sem se destruir e sustentar decisões mesmo quando elas desagradam alguém.

Boa parte dessa cobrança tem origem em regras aprendidas cedo — sobre merecimento, sobre o que é ser "boa o bastante", sobre o que acontece se você decepcionar. Na terapia, essas regras podem finalmente ser examinadas em voz alta.

O que o trabalho terapêutico propõe

Com a Terapia Cognitivo-Comportamental, identificamos os padrões de pensamento que alimentam a autocrítica, observamos seus efeitos concretos na sua rotina e construímos alternativas mais realistas e sustentáveis. Trabalhamos também com limites, descanso e tolerância ao desconforto de não corresponder a todas as expectativas.

A autocobrança costuma caminhar junto com a ansiedade e com dificuldades nos relacionamentos, e é comum que esses temas apareçam juntos ao longo do processo.